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Dra. Rafaela Lantyer

Retração gengival

Retração gengival tem volta? O que o tratamento consegue e o que não consegue

Tratamentos clínicos evitam piora da retração, e procedimentos cirúrgicos como enxertos podem recuperar parte do tecido perdido, mas não há retorno natural completo.

Retração gengival tem volta? O que o tratamento consegue e o que não consegue

A retração gengival não volta sozinha. A gengiva que recuou não retorna ao nível original sem intervenção. O tratamento pode estabilizar a causa e, em situações selecionadas, recuperar parte da cobertura da raiz com procedimentos de cirurgia plástica gengival. A indicação e a expectativa de resultado dependem do exame clínico presencial.

Se você percebeu raiz exposta, sensibilidade ou dentes parecendo mais compridos, vale conhecer as possibilidades de manejo e quando considerar cirurgia. Veja também o serviço dedicado a retração gengival.

Causas que influenciam a reversibilidade

  • Grau de exposição radicular e área afetada. Quanto maior a recessão e quanto mais dentes estão envolvidos, menor a chance de recobrir completamente a raiz. A condição dos tecidos entre os dentes é decisiva: quando há perda entre as raízes, a cobertura completa se torna menos previsível.
  • Espessura e qualidade da gengiva. Um tecido fino é mais suscetível a recuar e responde de forma diferente ao tratamento. Em algumas situações, aumentar a espessura com enxerto melhora a proteção e a estabilidade a longo prazo.
  • Presença de inflamação ou doença periodontal. Placa bacteriana, sangramento e perda de suporte ósseo mudam o plano de tratamento. Primeiro é preciso controlar a inflamação para só então avaliar correções estéticas ou funcionais.
  • Hábitos bucais e fatores mecânicos. Escovação muito forte, uso inadequado dos instrumentos de higiene, bruxismo e inserções musculares ou de freio labial que tracionam a gengiva favorecem a progressão da recessão.

Tratamentos não cirúrgicos e seus limites

O primeiro passo é controlar a inflamação e os fatores que mantêm a retração ativa. Isso inclui orientação de higiene personalizada, ajustes de técnica de escovação e limpeza profissional periódica.

  • Raspagem e alisamento radicular. Quando há acúmulo de placa e tártaro, a raspagem periodontal remove depósitos e suaviza a superfície da raiz, reduzindo a inflamação e a sensibilidade.
  • Controle da placa no dia a dia. Escovação com pressão adequada e higiene entre os dentes ajudam a evitar novas áreas de inflamação que podem piorar a recessão.

Importante: os tratamentos não cirúrgicos estabilizam, mas não repõem o tecido que já foi perdido. Em outras palavras, eles são a base para evitar piora e preparar o campo para procedimentos de cobertura radicular quando indicados.

Cirurgia plástica gengival: possibilidades e restrições

Quando há indicação, a cirurgia plástica gengival pode reposicionar ou adicionar tecido para cobrir parte da raiz exposta e espessar a gengiva.

  • Enxerto gengival. Procedimentos de enxerto gengival são utilizados para recobrir raízes e aumentar a espessura e a largura de gengiva queratinizada. Em dentes isolados com bom suporte entre as raízes, a previsibilidade é maior.
  • Gengivoplastia. A gengivoplastia ajusta o contorno e o volume da gengiva, sendo útil em correções de forma e em associação a outras técnicas, quando apropriado.

O que esperar de resultado é definido caso a caso. Fatores como a espessura do tecido, o posicionamento do dente, a presença de perda entre os dentes e o controle de placa influenciam diretamente. Em retrações extensas ou com perda de suporte entre as raízes, a cobertura pode ser apenas parcial. O cuidado no pós-operatório e a manutenção periódica são essenciais para a estabilidade do que foi obtido.

Como escolher o tratamento ideal

A decisão começa com avaliação presencial por periodontista. Na consulta, são medidos o nível de recessão, a profundidade ao redor dos dentes, a presença de inflamação, a qualidade do tecido, hábitos de higiene e possíveis interferências mecânicas. Exames de imagem podem ser solicitados para avaliar o suporte ósseo.

De modo geral, o plano segue etapas: controle da inflamação e dos hábitos que favorecem a recessão, reavaliação clínica e, quando indicado, proposta de cirurgia plástica gengival com expectativas realistas. Exemplos hipotéticos: um dente único com raiz exposta, gengiva fina e bom suporte entre as raízes pode ser candidato a cobertura mais ampla; já múltiplos dentes com perda entre as raízes tendem a ter indicação de aumento de espessura e proteção, com recobrimento parcial.

Sinais para buscar avaliação: raiz aparecendo, avanço da retração, sensibilidade ao frio persistente, sangramento na escovação ou gengiva inflamada. A indicação específica e os prazos dependem do exame presencial.

A Dra. Rafaela Lantyer é cirurgiã-dentista, especialista e mestre em Periodontia (USP e UNESP), CRO-SP 103.038. Atende em São José dos Campos, no consultório da Elora Odontologia Integrada, no Jardim Aquarius, de segunda a sexta, das 8h às 18h. Atendimento particular. Se desejar, agende uma avaliação pelo botão de WhatsApp do blog.

Referências