Cirurgia plástica gengival
Gengivoplastia: quando é indicada e quando outra opção faz mais sentido
A gengivoplastia pode ser considerada para remodelar o contorno gengival em situações selecionadas. A indicação depende da causa do formato da gengiva e da saúde dos tecidos.

A gengivoplastia pode ser indicada para remodelar o contorno da gengiva quando há excesso ou irregularidade de tecido e a saúde periodontal permite considerar a cirurgia. Se a aparência estiver relacionada a inflamação, retração gengival ou outros fatores, pode ser necessário avaliar essa causa antes de decidir se a gengivoplastia é apropriada.
O que a gengivoplastia modifica
A gengivoplastia é uma cirurgia plástica gengival que remodela o tecido para ajustar seu contorno. A proposta pode ser considerada quando a gengiva cobre uma parte maior dos dentes do que o esperado ou quando seu formato parece irregular. A extensão da remodelação depende das características de cada pessoa.
O procedimento não trata, por si só, todas as causas de dentes parecerem curtos ou de a gengiva ficar muito aparente ao sorrir. A aparência também pode depender do formato dos dentes, da posição dos lábios e de outros fatores. Por isso, a avaliação precisa considerar o conjunto, e não apenas uma fotografia do sorriso.
Sangramento, inchaço ou mudanças na gengiva podem indicar uma condição que precisa ser examinada antes de se discutir uma cirurgia estética. A gengivoplastia não substitui o cuidado de uma doença periodontal. Para conhecer a proposta desse procedimento, consulte a página sobre gengivoplastia e remodelação do contorno gengival.
Quando a gengivoplastia pode fazer sentido
A possibilidade pode ser considerada quando há tecido gengival em excesso ou uma margem gengival irregular, e quando o objetivo é harmonizar o contorno. Isso não significa que qualquer pessoa incomodada com a quantidade de gengiva visível seja candidata à cirurgia. A indicação depende da anatomia e da condição dos tecidos.
Na avaliação, a periodontista examina a gengiva, os dentes e os tecidos que os sustentam. Essa análise ajuda a entender se a alteração é principalmente de contorno, se há sinais de inflamação ou se a aparência tem outras causas. Também permite discutir qual extensão de remodelação seria compatível com a situação observada.
Uma margem gengival assimétrica, por exemplo, pode levar à consideração de uma cirurgia se a saúde dos tecidos e as características dos dentes forem compatíveis. Ainda assim, a aparência isolada não confirma a indicação: é preciso examinar presencialmente e compreender o objetivo da pessoa. A decisão não se baseia apenas no quanto de gengiva aparece ao sorrir.
Quando a queixa é especificamente a exposição da gengiva durante o sorriso, os fatores envolvidos também precisam ser avaliados. A relação entre sorriso gengival e suas possíveis causas ajuda a entender por que a gengivoplastia pode ser pertinente em algumas situações, mas não necessariamente suficiente em todas.
Quando outra opção ou etapa pode fazer mais sentido
Se a gengiva está inflamada, com sangramento ou inchaço, a prioridade é avaliar a condição periodontal. Gengivite é a inflamação da gengiva e pode ser reversível com tratamento. Periodontite é uma doença crônica que afeta também os tecidos de suporte, podendo envolver perda óssea. Nenhuma dessas condições deve ser presumida apenas pelos sintomas, e o tratamento depende do exame.
Nessas situações, remodelar o contorno sem considerar a saúde dos tecidos pode não atender à necessidade clínica. A avaliação pode indicar que é preciso cuidar primeiro da condição periodontal e, depois, reconsiderar se uma cirurgia plástica gengival ainda faz sentido. A aparência estética não substitui essa investigação.
Já quando a gengiva recuou e deixou parte da raiz exposta, a gengivoplastia não repõe o tecido perdido. A retração gengival tem características próprias, e a avaliação pode considerar se um enxerto gengival para tratar a retração é pertinente. A escolha depende de fatores como a localização e a extensão da retração, além da condição dos tecidos.
Também é importante distinguir a remodelação do contorno da despigmentação gengival. A primeira modifica o formato do tecido; a segunda é voltada à pigmentação melânica natural da gengiva. São procedimentos diferentes, com objetivos distintos, e a indicação deve corresponder à queixa avaliada.
Como decidir e qual é o próximo passo
A decisão começa pela compreensão da queixa e do resultado que a pessoa espera. Em seguida, o exame da gengiva e dos tecidos de suporte ajuda a identificar se há inflamação, retração ou outras características relevantes para a escolha. A partir dessas informações, é possível conversar sobre a indicação, os limites da cirurgia e se outra etapa deve ser considerada.
Procure avaliação se notar sangramento persistente, inchaço, retração ou mudança no contorno da gengiva. Esses sinais não permitem determinar a causa à distância, mas são motivos para examinar a região, especialmente antes de decidir por uma intervenção estética. A indicação individual só pode ser definida presencialmente.
Conheça o tratamento de sorriso gengival da Dra. Rafaela Lantyer.
A Dra. Rafaela Lantyer é cirurgiã-dentista, especialista e mestre em Periodontia, CRO-SP 103.038, e atende em São José dos Campos. Para conversar sobre a sua queixa e avaliar se a gengivoplastia é adequada, agende uma avaliação com a Dra. Rafaela Lantyer pelo botão de WhatsApp do blog.
Referências
- Caton JG et al. 2018. A new classification scheme for periodontal and peri-implant diseases and conditions. J Clin Periodontol.
- Chapple ILC et al. 2018. Periodontal health and gingival diseases and conditions on an intact and a reduced periodontium (consenso do grupo 1, World Workshop 2017). J Clin Periodontol.
- Jepsen S et al. 2018. Periodontal manifestations of systemic diseases and developmental and acquired conditions (consenso do grupo 3, inclui retração gengival). J Clin Periodontol.